segunda-feira, abril 5

lição de casa

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na sala fria e rarefeita de olhares,
o cabra é marcado para enternecer..
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vomite os seus segredos, não engavete os seus sentidos.
desenvoltura e perspicácia configuram um pião giratório.
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façamos, então, um plano que não permaneça apenas no plano das ideias.
venha! e mostre-me que podemos ser mais que criaturas contemplativas.
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necessidade física transfigurada em imagens,
sensação debutacional inexistente aos quinze.
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lindeza e doçura e lábios e voz e atos fatidicamente vexatórios.
voz doce, mesmo falando salgado.
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o suor é água de beber até a última gota,
todos os fluidos possíveis..
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e criemos outros mais, já que tenho sede insaciável.
tente: arranque-nos desse mar de morbidez.
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tu sabes? eu sei.
montemos juntos um quebra-cabeça..

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sábado, abril 3

fluidez

corro. e grito ao mundo que não há satisfação alguma em sentir-se plena. dê-me a mão. venha! corra comigo e grite também . corpos fluidos num tempo-espaço especialmente relativo. opiniões, gestos e sussurros comedidos não têm vez. necessito de um exagero descomunal e mítico. navalha afiadíssima perfurando cada milímetro da carne essencialmente lasciva e [por que não?] vulgar. nada de discrição: observe como se faz e ajoelhe-se. Não significa prece ou imitação. Apenas feche os olhos e sinta. não chore.

reminiscências

danço enquanto o corpo enlutado respinga gotículas de sonhos plastificados e devidamente compartimentados em caixotes de vento. não sei o que quero tampouco o que não quero. chuva e maresia me cortam a garganta. gilete? talvez pelas melancólico-bucólicas ruas de um certo ponto g. existe? oh, cientistas de todas as nacionalidades e especialidades não foram capazes de decifrar. ninguém melhor do que você: complicação personificada em sinônimo de defasagem intelectual. não se sabe o caminho, ele não existe: pulula em um jardim de inverno de coisas criadas e ponto [g?]

quinta-feira, janeiro 7

alumiando caminhos


numa tarde daquelas em que o sol puxa os cabelos das meninas fazendo-as dedilhar o vento sorrateiramente, a maior delas leva a pequena raio de sol a uma bela paisagem da cidade cinzenta-solar-ventania e lhe mostra as belezuras do fazer-escrever poético. poética dos manuéis. manuel é um nome bem bonito, bem que poderia ser manual... só que tem de ter liberdade para beber as palavras embutidas em nuvens, lagartas, paralelepípedos, gizes, cheiros de mato e leveza [por vezes, dureza nessa vida]. sensação estranha essa, de querer mostrar a uma criatura o que há de mais vertiginoso e desimportante no mundo...

domingo, novembro 8

lúdicoretrô

cortar papel: colcha de retalhos em gravuras coloridíssimas, que falam sobre si tanto quanto o seu psicanalista.
a conversa, os formatos, as escolhas e a ajuda despretensiosa vêm embaladas por ternas ondinhas douradas [cachos, vez em quando]
tudo-tudo intercalado pela visceral disputa entre mário e luigi [empacada pela condição de não saber nadar, ou melhor, voltar à superfície após o mergulho]
ensinar-apreder-ensinar-aprender. e não necessariamente nessa ordem.

segunda-feira, outubro 26

bi[s]


o cuidado que não houve quando mais precisou do calor-ardor que outrora afogava o corpo-receptáculo exausto e trêmulo e sôfrego e impulsivo. um colchão pouco confortável vestindo uma colcha de poás embala os sonhos que nunca aconteceram. indecifráveis? desvencilhou-se das amarras, mas o olhar que clama por aprovação e cumplicidade é uma outra história. noites insones, pálpebras pesadas e desassossego significam afastar o medo e agüentar o peso. desorganização mental e estética dentro e fora de si. o filme que nunca foi visto, a música que nunca dançou, o livro que nunca chega ao fim e a pintura interna que não usou aquarela, é tudo no preto e no branco. bicolor e consensual, apenas.

sexta-feira, setembro 25

. sossego

pernas por que te quiero?
a passos largos vou em direção oposta a que deveria ser seguida.
corra!
que lá vem confusão mental.

quinta-feira, setembro 24

. descaminho



noites insones e suspiros a perder de vista os sentidos fazem flutuar. sempre com o gosto e o cheiro e o calor que não pára, não pára, não pára. tão inúteis são os pensamentos em certos momentos, que me abstenho de tentar ordenar qualquer coisa que seja. concentro-me sem visar um objetivo. quando penso, eu estrago tudo. sou individual e tenho pressa, então narro fatos rapidamente para que eles fiquem guardados tal qual pérolas mornas. hoje, tenho um corpo espantado. agora quero fluxo, luxo e luxúria: lúdico.

quarta-feira, setembro 9

. Brincando de/com acaso

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invariável..
como 2+2=4.
viajei em terras longínquas e
e encontrei um mundo..
verdades, mentiras..
e, incrivelmente, realidade.
inusitada..
como um sorriso alcoólico,
eu te vi..
envenenar-se com o ópio
de nossa vida irredutível.
com o ócio da nossa loucura
experimentei dúvidas intransponíveis,
esgotando-as em copos de vinho azedo.
em todas as metáforas
e em simplórias formas físicas,
eu lembro de ti..
e penso como pode ser 1+1=3..
nossa fórmula!
originada de nossa psicodelia
e usada somente para definir os nossos padrões.
nossos. nossa.

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quarta-feira, setembro 2

. ofício

sede-fome-vontade-taquicardia-insônia-ansiedade-licenciosidade.. anthropological blues: melancolia de um lado e de outro da vida. quero demais, vejo demais, ouço demais [pulsação extremada]. o que aparentemente soa dificuldade, na verdade é simplificação. amplio o universo de compreensão e marejo os olhos. simplifico complicando.