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a fala fragmentada sopra delicadezas viris, coisa de quem tem aquele não-sei-quê-especial.
ainda inerte no lugar onde escolhi para ficar durante três horas ininterruptas, ouço-sinto um tilintar exalando dizeres para-todos [em certos momentos ecoa endereçado, pois aventuras antropológicas se fazem em qualquer lugar..]
naquela hora, todas as minhas certezas, tão sólidas quanto a neve que nunca vi, derretem-se. coisa de quem se deixa fluir um tanto demais. penso: "tome tento, moça! seu refúgio e seus livros são um caminho certo para a sensatez."
nunca foi o meu forte, a sensatez. sendo assim, me jogo do 15° andar e sinto um turbilhão híbrido rasgando a 360km/h o meu peito nu.
o olho humano também é nu. apasar das lentes de correção, há um invísivel e infinito escarcéu de seres inanimados e impressões corriqueiras que nunca saberemos se são reais ou não.
"menina, se não pensamos nelas, simplesmente não existem!" e a recíproca também é verdadeira.
olho a lua imagética num espelho cristalino e sussurro internamente: "deviam ser meus, os olhares fortuitos cuspidos em vão por aí.."
então, me encontre lá.
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sexta-feira, abril 16
segunda-feira, abril 12
atenção.flutuante
cheiro de café + leitura secreta de olhares resultam em divergências de linguagem. entre-linhas e cigarros, o realce de um iluminado caminho se transforma em [con]fusão de labirintos. soprando convites à transposição de imagens em espelhos d’ água, ritos e mitos sugerem um solstício singelo e rejuvenescedor. a película envolve assimetricamente a pele desejante. assim, debutaremos 72 horas sob complexo desenvolvimento de seqüências: vibrante documento de fantasias realistas.
segunda-feira, abril 5
lição de casa
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na sala fria e rarefeita de olhares,
o cabra é marcado para enternecer..
.
vomite os seus segredos, não engavete os seus sentidos.
desenvoltura e perspicácia configuram um pião giratório.
.
façamos, então, um plano que não permaneça apenas no plano das ideias.
venha! e mostre-me que podemos ser mais que criaturas contemplativas.
.
necessidade física transfigurada em imagens,
sensação debutacional inexistente aos quinze.
.
lindeza e doçura e lábios e voz e atos fatidicamente vexatórios.
voz doce, mesmo falando salgado.
.
o suor é água de beber até a última gota,
todos os fluidos possíveis..
.
e criemos outros mais, já que tenho sede insaciável.
tente: arranque-nos desse mar de morbidez.
.
tu sabes? eu sei.
montemos juntos um quebra-cabeça..
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na sala fria e rarefeita de olhares,
o cabra é marcado para enternecer..
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vomite os seus segredos, não engavete os seus sentidos.
desenvoltura e perspicácia configuram um pião giratório.
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façamos, então, um plano que não permaneça apenas no plano das ideias.
venha! e mostre-me que podemos ser mais que criaturas contemplativas.
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necessidade física transfigurada em imagens,
sensação debutacional inexistente aos quinze.
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lindeza e doçura e lábios e voz e atos fatidicamente vexatórios.
voz doce, mesmo falando salgado.
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o suor é água de beber até a última gota,
todos os fluidos possíveis..
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e criemos outros mais, já que tenho sede insaciável.
tente: arranque-nos desse mar de morbidez.
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tu sabes? eu sei.
montemos juntos um quebra-cabeça..
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sábado, abril 3
fluidez
corro. e grito ao mundo que não há satisfação alguma em sentir-se plena. dê-me a mão. venha! corra comigo e grite também . corpos fluidos num tempo-espaço especialmente relativo. opiniões, gestos e sussurros comedidos não têm vez. necessito de um exagero descomunal e mítico. navalha afiadíssima perfurando cada milímetro da carne essencialmente lasciva e [por que não?] vulgar. nada de discrição: observe como se faz e ajoelhe-se. Não significa prece ou imitação. Apenas feche os olhos e sinta. não chore.
reminiscências
danço enquanto o corpo enlutado respinga gotículas de sonhos plastificados e devidamente compartimentados em caixotes de vento. não sei o que quero tampouco o que não quero. chuva e maresia me cortam a garganta. gilete? talvez pelas melancólico-bucólicas ruas de um certo ponto g. existe? oh, cientistas de todas as nacionalidades e especialidades não foram capazes de decifrar. ninguém melhor do que você: complicação personificada em sinônimo de defasagem intelectual. não se sabe o caminho, ele não existe: pulula em um jardim de inverno de coisas criadas e ponto [g?]
quinta-feira, janeiro 7
alumiando caminhos

numa tarde daquelas em que o sol puxa os cabelos das meninas fazendo-as dedilhar o vento sorrateiramente, a maior delas leva a pequena raio de sol a uma bela paisagem da cidade cinzenta-solar-ventania e lhe mostra as belezuras do fazer-escrever poético. poética dos manuéis. manuel é um nome bem bonito, bem que poderia ser manual... só que tem de ter liberdade para beber as palavras embutidas em nuvens, lagartas, paralelepípedos, gizes, cheiros de mato e leveza [por vezes, dureza nessa vida]. sensação estranha essa, de querer mostrar a uma criatura o que há de mais vertiginoso e desimportante no mundo...
domingo, novembro 8
lúdicoretrô
cortar papel: colcha de retalhos em gravuras coloridíssimas, que falam sobre si tanto quanto o seu psicanalista.
a conversa, os formatos, as escolhas e a ajuda despretensiosa vêm embaladas por ternas ondinhas douradas [cachos, vez em quando]
tudo-tudo intercalado pela visceral disputa entre mário e luigi [empacada pela condição de não saber nadar, ou melhor, voltar à superfície após o mergulho]
ensinar-apreder-ensinar-aprender. e não necessariamente nessa ordem.
a conversa, os formatos, as escolhas e a ajuda despretensiosa vêm embaladas por ternas ondinhas douradas [cachos, vez em quando]
tudo-tudo intercalado pela visceral disputa entre mário e luigi [empacada pela condição de não saber nadar, ou melhor, voltar à superfície após o mergulho]
ensinar-apreder-ensinar-aprender. e não necessariamente nessa ordem.
segunda-feira, outubro 26
bi[s]
o cuidado que não houve quando mais precisou do calor-ardor que outrora afogava o corpo-receptáculo exausto e trêmulo e sôfrego e impulsivo. um colchão pouco confortável vestindo uma colcha de poás embala os sonhos que nunca aconteceram. indecifráveis? desvencilhou-se das amarras, mas o olhar que clama por aprovação e cumplicidade é uma outra história. noites insones, pálpebras pesadas e desassossego significam afastar o medo e agüentar o peso. desorganização mental e estética dentro e fora de si. o filme que nunca foi visto, a música que nunca dançou, o livro que nunca chega ao fim e a pintura interna que não usou aquarela, é tudo no preto e no branco. bicolor e consensual, apenas.
sexta-feira, setembro 25
. sossego
pernas por que te quiero?
a passos largos vou em direção oposta a que deveria ser seguida.
corra!
que lá vem confusão mental.
a passos largos vou em direção oposta a que deveria ser seguida.
corra!
que lá vem confusão mental.
quinta-feira, setembro 24
. descaminho
noites insones e suspiros a perder de vista os sentidos fazem flutuar. sempre com o gosto e o cheiro e o calor que não pára, não pára, não pára. tão inúteis são os pensamentos em certos momentos, que me abstenho de tentar ordenar qualquer coisa que seja. concentro-me sem visar um objetivo. quando penso, eu estrago tudo. sou individual e tenho pressa, então narro fatos rapidamente para que eles fiquem guardados tal qual pérolas mornas. hoje, tenho um corpo espantado. agora quero fluxo, luxo e luxúria: lúdico.
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