segunda-feira, julho 5

de sobressalto

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cama . festa

sempre . algo mais

descobr.e.ssências

partituras . lascívias



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poeminha ou gracejo de junção

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febril

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e faz de conta que naquele dia de chuva torrencial, você não me deixou a ver barquinhos de papel na calçada da casa de tijolos rústicos. uma piscadela e pronto, nada mais restava entre o meu peito nu e a tua muralha de insensatez.

iluminando as vertentes do trôpego caminho de sol a pino, as dezesseis luas de júpiter zombam dos teus trejeitos mais elementares e indiscutivelmente humanos.

nascidos do barro e da costela, os sentimentos confluem sempre para a mesma direção, a do desencontro alumiado por incertezas. deu febre, foi ardente; marca indelével da memória aquecida pelo esquecimento. a todo vapor..

na rua de sempre, tudo difere.

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terça-feira, junho 8

a noite 1/2

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tenho vontade de escrever um livro.

seria o livro das pessoas doces e bonitas, dos aquarianos. não seria um romance. o recheio teria sabor de contos, crônicas e poemas, assim seriam consumidos em doses homeopáticas. como um livro de cabeceira, a ser lido antes de dormir; ou como um livro de viagens, companheiro de andanças, parceiro e encorajador. queria, também, que ele espantasse a dor, caso você tropeçasse pelo meio do caminho.

nele, não faltariam sonhos. mas não seriam somente aqueles que se assemelham a esperanças vãs... eles seriam palpáveis, lúdicos e nos remeteriam às estratégias e às possibilidades.

também seria um livro de busca, de pulsão-pulsação-fruição. um livro de não-saber, e que por isso mesmo, possibilitaria a procura, a criação e a união.

em suas páginas amareladas ecoaria um jardim musicado, de arte e hortaliças. seria um emaranhado de escritos que nos permitiriam viajar, tanto mentalmente quanto fisicamente, no sentido mais literal de ambos.

seria um roteiro literário, que um dia, poderia vir a se transformar em um vídeo-poema. correria o mundo, desencapado, permitindo-se à vida, às intempéries e ao gozo.

um diário de bordo.

uma bússola.

um documento fantástico.

um mundo m[t]eu.

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sexta-feira, junho 4

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Um olhar impiedoso lançado contra aquele que evidentemente nunca te fará mal e que provavelmente nunca te deixará na mão. Tão ensurdecedora é a macabra sinfonia da indiferença, que as ideias ficam desbaratadas e o manual de procedimentos se transforma em apenas mais um estorvo.

Sentimentos que se deixam escapar nos olhares lúgubres, com leves tons de reprovação, transformam a ciranda, outrora alegre e colorida, em um circo freak e perverso. O tom da tua pele queimada pelo sol deixa transparecer que Balzac se apossara de teu corpo assim, sem muitos estardalhaços. Porém, os olhos cansados do caminho à médio prazo, denunciam a estirpe dos eternos jovens adultos solitários.

Longe de deter a lendária auto-confiança alardeada por aí aos quatro ventos desde o início dos tempos, toma atitudes mesquinhas e beijadas pelos sutis lábios da emulação. Faz do seu mundo, já duro em sua essência frívola, um pântano de sentimentos toscos enlameados de insensatez.

Ouça: passos de dança podem [e devem] ser compartilhados com pessoas especiais. No entanto, mais importante que agraciar estranhos com graça e delicadeza, é preservar o que foi ladrilhado com esmero e encoberto pela cuidadosa superfície da diligência.

Hoje, tenho um rosto enrubescido pelo tom do esquecimento.

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terça-feira, maio 25

êxodo

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pronto.

agora sinto tudo essencialmente inacabado.

meu quarto e sala anda apertado, nele não cabe mais o móvel que bombeia o fluxo.

mais embaixo, no hall, faz um frio que se aquece com as voltas dos vaga-lumes que teimam.

o cintilante tom da distância é secundário, pois descobertas de novos mundos sempre causaram revoluções.

sinto a terra em transe sob meus pés cansados de caminhar contra a corrente, e permito-me atingir um meio de caminho.

encontro-te circunstancialmente em minha memória olfativa, tendo a gélida incerteza da presença material.

nesses casos, a matéria pode ser momentaneamente secundária. se tiveres a certeza da fome compartilhada, o banquete será a condição irrevogável.

toma minha pequena persona e cria felizes rearranjos soprados em uma mesma direção. necessariamente àquela que leva ao encontro, sua especialidade.

certo como dois e dois são cinco, me lanço em tua direção.

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quarta-feira, maio 19

do lago

sentir-se só sem ser..
toda a ausência causa caláfrios que aquecem a necessidade do calor compartilhado na banheira vazia e fazem o grande vão parecer eternamente desabitado.

a aurora faz pessoas tão iguais parecerem sombras ensimesmadas.
sentir-se preso num emaranhado de pesoas prontas,
engendra uma realista prece de ateus santificados.
olho os carros no vem-e-vai eloquente e miro um futuro palpável como pinturas rupestres.

a carne mal cozida e desidratada do rosto enrubescido,
lança o peso de uma puberdade leviana sufocada
e faz emergir sonhos fúnebres roubados de si mesmo.

assim, alista-se no exercícito do tempo mal vivido e faz os pequenos meandros da relva interna ganharem a superfície.
tão meus são os seus medos, que torno-me acidentalmente a irrevogável causa deles.

sexta-feira, maio 7

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carícias de flores nos corpos descansados na frondosa varanda. cheiro de café com leite às oito da matina, desperta o olfato para um dia de leituras e bordados. aos domingos, acordo cedo para ouvir as canções que você fez pra mim. à noite, com os óculos na ponta do nariz, olho para o fundo do corredor escuro e repleto de quadros com fotografias daquele que será sempre o meu fotógrafo preferido e penso que o futuro é aqui. agora.
o limão colhido no quintal nos mima suavemente com o melhor suco que já bebemos e que faço pra ti com tanto querer bem, e fica doce mesmo sem o açúcar mascavo, aquele que tanto gostas. uma ode aos documentos perdidos, esquecidos e amarelados pelo tempo que não perdoa, suga o viço e coalha a carne, tornado-a viscosa.
no fim da semana, iremos às compras. geléias, deliciosos e tenros biscoitos, queijos e vinhos. ah.. esses serão secamente consumidos no vão aconchegante, acompanhados por um bom filme, os realizados pelos nossos diretores preferidos e os que nós fizemos (exceto aquele, de que gosto tanto e que você considera piegas demais). lembra da péssima luz naquele dia? como esquecer?! Aquela luz corroborou a imagem maculada que carregaremos por toda a caminhada de vida, desde o fatídico dia de encontro às portas de um café pequeno-burguês freqüentado por gente insossa.
a imagem transfigurada da viagem sem volta..

sexta-feira, abril 16

a nudez das coisas

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a fala fragmentada sopra delicadezas viris, coisa de quem tem aquele não-sei-quê-especial.

ainda inerte no lugar onde escolhi para ficar durante três horas ininterruptas, ouço-sinto um tilintar exalando dizeres para-todos [em certos momentos ecoa endereçado, pois aventuras antropológicas se fazem em qualquer lugar..]

naquela hora, todas as minhas certezas, tão sólidas quanto a neve que nunca vi, derretem-se. coisa de quem se deixa fluir um tanto demais. penso: "tome tento, moça! seu refúgio e seus livros são um caminho certo para a sensatez."

nunca foi o meu forte, a sensatez. sendo assim, me jogo do 15° andar e sinto um turbilhão híbrido rasgando a 360km/h o meu peito nu.

o olho humano também é nu. apasar das lentes de correção, há um invísivel e infinito escarcéu de seres inanimados e impressões corriqueiras que nunca saberemos se são reais ou não.

"menina, se não pensamos nelas, simplesmente não existem!" e a recíproca também é verdadeira.

olho a lua imagética num espelho cristalino e sussurro internamente: "deviam ser meus, os olhares fortuitos cuspidos em vão por aí.."

então, me encontre lá.

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segunda-feira, abril 12

atenção.flutuante

cheiro de café + leitura secreta de olhares resultam em divergências de linguagem. entre-linhas e cigarros, o realce de um iluminado caminho se transforma em [con]fusão de labirintos. soprando convites à transposição de imagens em espelhos d’ água, ritos e mitos sugerem um solstício singelo e rejuvenescedor. a película envolve assimetricamente a pele desejante. assim, debutaremos 72 horas sob complexo desenvolvimento de seqüências: vibrante documento de fantasias realistas.

segunda-feira, abril 5

lição de casa

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na sala fria e rarefeita de olhares,
o cabra é marcado para enternecer..
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vomite os seus segredos, não engavete os seus sentidos.
desenvoltura e perspicácia configuram um pião giratório.
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façamos, então, um plano que não permaneça apenas no plano das ideias.
venha! e mostre-me que podemos ser mais que criaturas contemplativas.
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necessidade física transfigurada em imagens,
sensação debutacional inexistente aos quinze.
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lindeza e doçura e lábios e voz e atos fatidicamente vexatórios.
voz doce, mesmo falando salgado.
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o suor é água de beber até a última gota,
todos os fluidos possíveis..
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e criemos outros mais, já que tenho sede insaciável.
tente: arranque-nos desse mar de morbidez.
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tu sabes? eu sei.
montemos juntos um quebra-cabeça..

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